Classificação NOVA - Conheça os 4 tipos de alimentos processados.
Dicas de Operação Foodservice

Você conhece a Classificação NOVA? Veja quais são os 4 tipos de alimentos processados, segundo a ONU

Beatriz Brasil,

01 julho 2022

Nos últimos anos, ouvimos cada vez mais críticas aos alimentos processados e seu impacto na saúde das pessoas. O que muitos não sabem é que existem diferentes tipos de processamento e cada um deles tem uma finalidade importante na conservação do que chega ao prato do consumidor.

 

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o Brasil é o 2º maior exportador mundial de alimentos industrializados em volume e o 5º em valor. Isso gera US$ 45,2 bilhões para a economia nacional, responsável por 10,6% do total do PIB brasileiro.

 

A verdade é que a má fama vem do fato das pessoas não saberem, mas a maioria dos alimentos que comemos são processados. O brócolis que é limpo e ensacado, o queijo artesanal e até mesmo um ovo cozido se qualificam como alimentos processados ​​porque, estritamente falando, uma vez que um alimento é alterado, se torna processado. 

 

O que são alimentos processados?

 

A definição diz que os alimentos processados são todos aqueles que não se enquadram como commodity agrícola crua. Ou seja, uma vez que tenham sido submetidos a algum tipo de processamento, como enlatamento, cozimento, congelamento, desidratação ou moagem (mesmo os alimentos in natura) são considerados processados.

 

Por essa razão, é importante lembrar que nem todos os alimentos processados ​​são insalubres. Na verdade, o processamento é o que viabiliza o acesso à alimentação, mesmo nos locais mais remotos do planeta.

 

Classificação NOVA e o Guia Alimentar para a População Brasileira

 

A classificação NOVA é um sistema que categoriza os alimentos de acordo com a extensão e a finalidade do processamento a que são submetidos. Essa organização é feita de acordo com a quantidade de ingredientes e as modificações físicas, biológicas e químicas que podem ocorrer com o alimento depois que ele é colhido.

 

O primeiro passo para sua criação aconteceu em 2009, após a revista Public Health Nutrition divulgar o comentário: “Nutrition and Health. The issue is not food, nor nutrients, so much as processing” (Nutrição e Saúde. O problema não é a comida, nem os nutrientes, mas o processamento, em tradução livre).

 

Nele, o coordenador científico do Nupens demonstrou a importância de entendermos a relação entre alimentação e saúde, já que as propriedades nutricionais dos alimentos sofrem alterações após o processamento e devem ser consideradas.

 

Em 2014, essa recomendação serviu como base para a criação do Guia Alimentar para a População Brasileira, que causou um grande impacto nas políticas públicas de nutrição e saúde no Brasil.

 

No vídeo abaixo, a chef Rita Lobo comenta a importância do guia, assista:

 

 

4 Categorias de alimentos processados, segundo a Classificação NOVA

 

1 – Alimentos não processados ​​(in natura) ou minimamente processados

 

Os alimentos in natura são aqueles que chegam ao consumidor da mesma forma como foram colhidos da natureza. Estão inclusas as partes comestíveis de plantas (como sementes, frutas, folhas, raízes) ou de animais (músculos, ovos, leite), assim como algas e cogumelos.

 

Já os alimentos minimamente processados, são aqueles cujo processamento a que foram submetidos foi feito principalmente por conveniência. É o caso de verduras e legumes ensacados e congelados, por exemplo.

 

Para o food service, os alimentos minimamente processados simbolizam qualidade e praticidade nos preparos, reduzindo os resíduos e desperdícios nos restaurantes.

 

2 – Ingredientes culinários processados

 

Os ingredientes culinários processados ​​são substâncias obtidas diretamente de alimentos não processados ou minimamente processados. Essa classificação abrange principalmente os temperos e óleos usados nos preparos.

 

No geral, são alimentos in natura alterados por processos como prensagem, refino, moagem e outras formas que possam ser utilizadas no processo de cozimento. 

 

Dentre os exemplos mais comuns estão o açúcar mascavo, sal marinho, manteiga, azeite de oliva e ervas desidratadas.

 

3 – Alimentos processados

 

Conhecido como “alimentos levemente processados”, esta categoria inclui alimentos como tomate, atum, milho e ervilha ensacados, enlatados ou congelados logo após a colheita. 

 

Eles podem ter um ou dois ingredientes adicionados, como sal, açúcar ou óleos, mas raramente contém mais de 3 ou 4 ingredientes. Alimentos como pães, queijos e massas artesanais também são exemplos de alimentos levemente processados. 

 

Itens embalados com apenas alguns ingredientes adicionados de alta qualidade (por exemplo, ervas, especiarias e/ou óleos) também podem ser considerados levemente processados, como alguns molhos para massas e saladas.

 

4. Alimentos e bebidas ultraprocessados

 

Essa é a categoria em que são enquadrados os “Junk Foods”. São alimentos feitos com muitos ingredientes que costumam conter grandes quantidades de açúcar, óleo, gordura, sal, antioxidante, estabilizante e conservante. 

 

Geralmente, esses alimentos passam por diversas transformações físicas, químicas e biológicas para chegar ao resultado, onde já perderam quase todas as propriedades nutricionais dos alimentos de que são compostos.

 

Quase todos os alimentos nesta categoria são considerados insalubres e, quando consumidos em excesso, estão associados ao aumento do risco de obesidade, diabete e doenças cardiovasculares.

 

Por essa razão, o termo “alimentos processados” está diretamente associado a comidas que fazem mal para a saúde. No entanto, isso não significa que devam ser completamente aniquilados da dieta.

 

Mas, calma! Apesar de seu baixo valor nutricional, os alimentos ultraprocessados como chocolates ou até mesmo a cerveja podem ser consumidos em quantidades moderadas sem causar malefícios. O equilíbrio é a resposta para a adesão permanente a hábitos alimentares mais saudáveis. 

 

E o que diz a Engenharia e Ciência de Alimentos?

 

Apesar de sua popularidade, a classificação NOVA é alvo de críticas por alguns especialistas do setor alimentício. Para os pesquisadores, o prefixo ‘ultra’ remete à intensidade de um determinado tratamento ou processo empregado na conservação do alimento, e não à sua composição

 

Segundo o artigo divulgado pela FORC, a quantidade de ingredientes, intensidade ou número de processos e local de processamento não devem ser os únicos critérios usados para avaliar a qualidade do alimento.

 

Ao classificar um alimento como ultraprocessado, corre-se o risco de incentivar que as pessoas deixem de consumir alimentos como pão integral ou enriquecido, cereais e leites especiais, que podem levá-las a não ingerir vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.

 

Para os especialistas em Engenharia e Ciência de Alimentos, o ideal é que a população procure hábitos alimentares saudáveis com alimentos ricos em fibras, priorizando o consumo de alimentos orgânicos e in natura, enquanto reduz a ingestão de alimentos ricos em sal, gordura e açúcares.

 

Os consumidores devem se atentar à lista de ingredientes disponíveis nos rótulos, mas também é preciso entender que alguns aditivos e processos são necessários para garantir a segurança microbiológica dos alimentos.

 

Você já conhecia a Classificação NOVA? Conte-nos a sua opinião sobre esse sistema clicando aqui.

Compartilhe esse conteúdo:

Leia também:

Entre em Contato