Nos últimos anos, a proteína deixou de ocupar espaço apenas nas academias e passou a aparecer cada vez mais nas prateleiras dos supermercados. Grandes marcas vêm lançando produtos com maior teor proteico, como bebidas prontas, iogurtes, cereais, chocolates e até pães.
No Brasil, esse movimento já aparece nos números. Entre janeiro e outubro de 2025, o volume de whey protein vendido no varejo brasileiro cresceu 124%. No mesmo período, outras categorias também registraram crescimento, como cereais proteicos e iogurtes com maior teor de proteína.
Mas o que está por trás desse crescimento? Os produtos proteicos ainda são destinados apenas a atletas? E, afinal, como essa tendência afeta o Food Service?

Por que as proteínas estão em destaque?
Durante muito tempo, consumir whey protein ou outros produtos ricos em proteína era um hábito associado quase exclusivamente a atletas, fisiculturistas e pessoas que frequentavam a academia regularmente. Esse cenário mudou.
A proteína passou a ser relacionada não apenas ao ganho de massa muscular e à performance esportiva, mas também à saúde, à saciedade, à manutenção da massa muscular e à praticidade. Com isso, o público interessado nesses produtos se tornou muito mais amplo.
Essa mudança também pode ser observada nos próprios lançamentos da indústria. Produtos que antes não tinham uma associação direta com o universo fitness passaram a ganhar versões com maior teor de proteína. Bebidas lácteas, iogurtes, cereais, chocolates, snacks e outros alimentos começaram a incorporar o atributo “proteico” à sua comunicação.
As redes sociais também ajudam a impulsionar esse movimento por meio da cultura wellness. A proteína passou a aparecer com frequência em conteúdos sobre alimentação, saúde, exercícios e bem-estar, contribuindo para que o assunto chegasse a consumidores que não necessariamente praticam esportes.
Isso não significa, entretanto, que todo produto proteico seja automaticamente mais saudável. A presença de proteína é apenas um dos aspectos que devem ser considerados na composição de um alimento. Ingredientes, quantidade de açúcares, gorduras, fibras e grau de processamento também fazem parte dessa avaliação.
Por que os consumidores estão adotando produtos proteicos?

A praticidade é um dos principais motivos. Em uma rotina cada vez mais corrida, produtos prontos para consumo podem facilitar a inclusão de proteínas na alimentação sem exigir muito tempo de preparo.
Da mesma forma, o consumidor busca saciedade e conveniência, além de associar o consumo adequado de proteínas à manutenção da massa muscular e a uma alimentação equilibrada. O sabor também continua sendo um fator essencial na escolha. Afinal, de pouco adianta um produto atender às necessidades nutricionais se não for agradável de consumir. Por isso, a indústria tem buscado desenvolver opções que combinem maior teor de proteína com sabores e texturas capazes de atender às expectativas do consumidor.
Outro fator importante é que os produtos proteicos estão conseguindo se aproximar de momentos de consumo que já fazem parte da rotina. Uma bebida pronta pode acompanhar o café da manhã, enquanto um iogurte pode entrar na alimentação entre as refeições.
Ou seja, o consumidor não está necessariamente procurando apenas “um produto com proteína”. Ele busca uma opção que combine valor nutricional, sabor e praticidade.
Como o Food Service pode acompanhar essa tendência?
A popularização dos produtos proteicos também cria oportunidades para o Food Service. Restaurantes, cafeterias, padarias e outros negócios podem acompanhar esse movimento incorporando opções com maior teor de proteína ao cardápio, seja por meio de novos produtos ou pela adaptação de preparações que já fazem parte da rotina dos consumidores.
Mais do que simplesmente adicionar proteína às receitas, o desafio está em entender quais produtos fazem sentido para o público e para cada ocasião de consumo. Bebidas, sobremesas, lanches e opções para o café da manhã são alguns dos formatos que podem explorar essa demanda.
O marketing também tem um papel importante nesse processo. Ao implementar novos produtos com maior teor de proteína, é interessante que o estabelecimento comunique a novidade ao público, destacando seus diferenciais. Divulgar os lançamentos nas redes sociais, no próprio estabelecimento e em outros canais de comunicação pode despertar o interesse dos consumidores e incentivar a experimentação.
Uma tendência que exige estratégia

O consumo de produtos proteicos é uma tendência crescente e pode representar novas oportunidades para diferentes negócios do Food Service. No entanto, incorporar essa demanda à operação exige estratégia. Antes de implementar novas opções, é importante avaliar o perfil do público, a demanda, os custos e a viabilidade de produção, identificando quais produtos realmente fazem sentido para cada negócio.
Acompanhar a tendência, portanto, não significa simplesmente reproduzir o que está em alta. É preciso entender como o movimento pode ser adaptado à realidade da empresa e utilizado de forma estratégica na construção do cardápio e na atração de novos consumidores.
No fim, mais do que seguir o hype, o objetivo é transformar uma mudança no comportamento do consumidor em uma oportunidade de negócio.